Violência acalentada

mulhernegrafinal

imagem da internet

Um nojo invadindo o peito

O incomodo de não dizer não

O lençol de culpa que me cobre o sexo

Por mais tempo que eu poderia imaginar

Um mar de ondas ao contrário,

É assim meu sexo

Invadido!

Meu silêncio de vergonha e descredibilidade

Hoje protetora de fêmeas

A memória ainda dói

Me move a lutar

A soltar o verbo.

Denunciar! Denunciar! Denunciar!

Mesmo deslegitimada

Pelo sexo que outrora eu não compreendia como diferente

Mas que hoje

Percebo as pérolas a enfeitar – lhe

As mesmas que me ejaculam cuspe

E com dedo e pênis rijo me acusam devassa.

Logo eu…

Negra de amor singular

Abortado de brutalidade ao sexo silenciado

De um sexo cuja amnésia coletiva

Impõem a dissimulação da violência acalentada.

 Karla Alves/Dávila Feitosa

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