Um pouco de nós – por Yasmin Rodrigues

Venho pensando bastante nos últimos dias na condição de homens e mulheres negras no Brasil, porém meus pensamentos se estendem, vou desde a chegada dos negros no nosso país até o os dias atuais, nessa perspectiva penso no seguinte.
Os negros chegaram no Brasil arrancados do seio de sua mãe Africa, para serem escravizados por um povo que não os deu condições mínimas de sobrevivência, e assim começam a ser escritas as primeiras linhas da historia do negro no Brasil.
Acordavam de baixo de sol e chuva, homens, mulheres e crianças , iam para as lavouras onde não havia distinção de trabalhos entre homens e mulheres, a opressão sofrida era a mesma para ambos os gêneros, porém com uma diferença, a mulher sofria violência sexual , de dia esquentava a barriga no fogão, e a noite era obrigada a esquentar a cama do patrão, não podendo se negar pois ocupava uma posição social inferior e não tinha direitos sobre seu corpo.
Assim como não havia distinção de trabalhos , não havia de castigos , mulheres “recém-paridas” era obrigadas a trabalhar, e mal tinha direito de amamentar seus filhos , trabalhavam e ao mesmo tempo que cuidava de seus filhos, e se o trabalho não saísse bem feito, era açoitada, violentada.
Essa realidade do período escravista me dói, corrói meu peito, porém o que me chama muita atenção é o período pos abolição., a me perguntam sempre porque, eis minha resposta.
Nós, negros e negras do Brasil somos vítimas de uma abolição que veio e não nos libertou, e a pergunta que faço sempre, abolição pra quem?
Se o negro mesmo depois de livre não recebeu saúde,moradia e educação de qualidade, se precisa provar a todo momento porque está aqui e que é capaz, sofremos literalmente na pele a farsa da “democracia racial” , que me pergunto sempre onde está, mais acho que descobri onde ela está.
Está nos jovens com mais de 15 anos que são analfabetos onde 14,4% dos mesmos são negros.
Está no salário do branco de 1.538,00 e do negro 834,00 (ps: a mulher negra recebe metade).
Está nos trabalhos domésticos onde o negro ainda é maioria absoluta.
Está no Brasil mestiço e custa de mulheres negras estupradas.( Gilberto Freyre não conta esse detalhe).
Está nos 63% da população que vive a baixo da linha da pobreza, que é negra.
Está na ditadura do cabelo liso.
Está na estigmatização do negro no livro didático.
Está no VETO do ex presidente Lula de destinar a verba da implementação da lei 10.639.
Está nos 53,3% dos homicídios de jovens no Brasil, onde 76,6% são negros.
Está na diferença salarial que chega a 28% entre mulheres brancas e negras.
Está no preconceito com religiões de matriz africana.
A minha gente, está em tanta coisa.
Esse é o mito da democracia racial para os negros no Brasil, uma vez que esse é um país que muito nos deve, principalmente na historiografia, que foge da nossa história, e omite fatos.
Sem falar do feminismo branco e burguês que não usam como referencia nossas guerreiras que muitos contribuíram para a libertação do nosso povo, mais se no´s mulheres negras quisermos ser “feministas” somos praticamente obrigadas a conhecer as feministas brancas e suas ideologias.
(acho muito fácil falar exigir isso de nós quando você não é vista apenas como objeto de desejo sexual).
Essa é nossa sociedade, é minha gente, ela é RACISTA , e tenta mais não consegue disfarçar o APARTHEID brasileiro.

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